Entrevista com Stefano Zacchiroli, novo líder do projeto Debian

Tomei a liberdade de fazer uma tradução não oficial de uma interessante entrevista, feita pelo portal  iTWire, com o novo Líder do Projeto Debian (DPL), eleito em 16 de Abril de 2010, para o mandato 2010/2011  .    Nascido na Itália, atualmente com 31 anos, Stefano Zacchiroli tem colaborado com o projeto desde Março de 2001, e faz parte da força-tarefa de mantenedores OCaml do Debian, e da equipe de garantia de qualidade do Debian, onde mantém partes da infra-estrutura, como o Sistema de Rastreamento de Pacotes (PTS).

Peço que desculpem os possíveis deslizes na tradução, e fiquem à vontade para críticas e/ou sugestões.

Fonte: http://www.itwire.com/opinion-and-analysis/open-sauce/38579-keeping-1000-devs-focused-new-debian-leader-speaks

Por Sam Varghese
Terça-feira, 27 de Abril de 2010

Dez dias atrás, o novo líder do Projeto Debian GNU/Linux, Stefano Zacchiroli, iniciou seu mandato como o único líder eleito de um projeto de software livre.  Mas essa não é a única coisa que faz do Debian único no espaço FOSS  (Software Livre e de Código Aberto).

O projeto tem mais de 1000 desenvolvedores de todos os cantos do globo e, apesar dos argumentos e debates que figuram em suas várias listas de discussão, ainda reúne uma distribuição que é de primeira qualidade e atende a mais arquiteturas do que qualquer outra.

Stefano Zacchiroli

Zacchiroli, um bolsista de pós-doutorado de uma universidade em Paris, tem portanto uma tarefa bastante difícil pela frente desde o começo de seu mandato.  Ele levou algum tempo para falar ao iTWire sobre seus planos para o ano.

Parabéns por ter sido eleito. Qual a sensação de ser o líder de um grupo que tem mais de 1000 desenvolvedores e cerca de 2000 opiniões?

Obrigado… mas eu não acho que seus números sejam justos.  Nós temos opiniões diferentes em assuntos específicos algumas vezes, mas não mais (ainda) do que uma por DD (Desenvolvedor Debian).  Na verdade, eu acho que ter opiniões diferentes e usar democracia e “uma estrutura onde quem faz decide” (do-ocracy) para enfrentá-las é uma das características mais interessantes e distintas do projeto Debian.

Voltando à sua pergunta,  meus sentimentos principais são:  sou honrado pela confiança que outros DDs têm demonstrado em mim, mais um entusiasmo com a possibilidade de ajudá-los a desfrutar mais da sua participação no Debian.  (Há também) um pouco,  pouquinho de medo da responsabilidade.

Em sua plataforma, você disse que pretende ser um “DPL presente juntamente nas discussões e como responsável pela agenda do projeto.”  O que exatamente você quer dizer com isso?

Eu queria dizer duas coisas diferentes.  Uma delas foi a minha intenção em participar da maioria das “grandes” discussões no projeto,  especialmente em caso de conflitos.  A função de DPL não tem autoridade específica para tomar decisões em diversas áreas (sobretudo em questões técnicas), mas deve ajudar na resolução de conflitos e, mais geralmente, facilitando a interação entre os desenvolvedores.

Outro aspecto relacionado é a responsabilidade do DPL de fazer o trabalho de contabilidade.  Por exemplo, o DPL deve tomar cuidado em lembrar que  precisamos ter uma discussão específica, em um período específico.  Se ninguém se lembrar de levantar a questão antes que seja tarde demais, o DPL deve fazer isso.  Este conjunto de discussões para ter é o que forma a agenda do projeto.

Novamente sobre sua plataforma,você disse que iria proporcionar  caminhos de acesso ao Debian mais graduais e gratificantes.  Aproveito isso para dizer que você acha que a forma atual de aceitação de pessoas como desenvolvedores é muito burocrática.  Que mudança você tem em mente?

Na verdade não, não é isso que eu quis dizer.  Eu entendo como o nosso processo pode parecer mais burocrático do que os outros projetos onde, dizem, são necessárias apenas indicações.

Observe, entretanto, que a nossa burocracia é principalmente destinada a verificar se o candidato compartilha do nossos princípios de fundação e compartilha das promessas que fizemos aos nossos usuários, ou seja, o Contrato Social Debian.  As partes técnicas do nosso processo de adesão podem ser (e muitas vezes são) aceleradas para pessoas que já provaram suas habilidades técnicas, por exemplo, quem já tenha contribuído com uma quantidade significativa de bom trabalho.

O meu ponto no texto que você citou foi mais sobre o fato de que por muito tempo, ser um colaborador reconhecido do Debian tem sido “tudo ou nada”.  Nos últimos anos, a situação tornou-se muito melhor com a introdução do Mantenedor Debian, um status que é mais fácil de obter do que o DD completo, e que os possibilita trabalhar – fazendo upload dos pacotes – em áreas específicas do projeto.  Eu acho que devemos aprender com isso, que há lá fora contribuintes que não estão interessados em se tornar DDs completos, mas que ainda querem ajudar, e merecem ser reconhecidos por isso.

Eu não tenho nenhuma mudança específica para propor agora, mas eu sei que nós precisamos ter uma discussão apropriada para decidir a melhor forma de reconhecer a existência dos contribuidores não-empacotadores  (web designers, tradutores, artistas, etc.), que merecem ser reconhecidos com membros do projeto Debian.

Outro ponto que você pois em sua plataforma: “Eu lutarei fortemente contra a propriedade do pacote quando ele entrar em conflito com a qualidade.”  Obviamente, isso deve ter sido baseado em algum incidente.  Sem dar nome às pessoas ou pacotes, você pode dar uma ideia de como tais situações acontecem?

Nenhum incidente específico, pacote ou pessoa.  Pelo contrário, o ponto é que precisamos continuar uma mudança cultural, que felizmente já está acontecendo.

Bem no início não havia campo “Mantenedor” associado com pacotes Debian;  adicionando-o mudaram as regras do jogo.

De repente as pessoas se sentiram mais responsáveis sobre seus pacotes específicos (o que é bom), mas também se tornaram mais resistentes às mudanças realizadas por outros (o que é ruim),  e ações como uploads por não-mantenedores (NMUs), onde algumas vezes viram com ataques pessoais, ao invés de entender como tentativas de ajudar um colega desenvolvedor.

Como previsto, nos tornando muito melhores nos últimos anos.  Durante recentes campanhas NMU para corrigir bugs Críticos de Lançamento (Release-Critical) tendo em vista o Squeeze (nossa próxima versão estável), todos os participantes relataram ter recebido basicamente apenas mensagens de “obrigado” por cada NMU adequado.

Da mesma forma, a maioria dos pacotes Debian são atualmente mantidos por equipes que são fáceis de se juntar, e no qual membros podem contribuir simplesmente fazendo commit em algum sistema de controle de versão.

Isso faz a mudança em uma distribuição onde colegas trabalham lado-a-lado mas em pacotes individuais, na qual todos são  igualmente responsáveis pela boa qualidade de um  lançamento como um todo, e devem também se preocupar com os pacotes dos outros.

Você tem algum plano específico para melhorar a comunicação entre Debian e Ubuntu?   Ou o Debian, como um desenvolvedor colocou, terminará sendo um supermercado de pacotes para Ubuntu?

Eu acho que o principal objetivo aqui é estabilizar um sensato – e bastante típico de FOSS – relacionamento “upstream-downstream” entre Debian e Ubuntu.

Tecnicamente, isso significa que nós devemos derrubar todas as barreiras para troca de patches entre as duas distribuições (e em ambas direções). O mais fácil é um DD revisar e seletivamente importar patches do Ubuntu, o melhor;  isso é provavelmente o mesmo para os desenvolvedores Ubuntu.

Socialmente, todos devem dar crédito onde o crédito é devido.  Para ser franco, acho que o Ubuntu deve reconhecer um pouco mais o fato que eles ainda são baseados no Debian e que eles periodicamente sincronizam com o Debian.  É de conhecimento público, mas ainda não é divulgado como, digamos, um desenvolvedor de software livre deveria normalmente dar crédito a (um projeto que) importância de cerca de 70 por cento do código que ele/ela distribui.

Do nosso lado, devemos reconhecer e anunciar a existência de um fluxo de patch Ubuntu, bem como evitar ataques gratuitos ao Ubuntu que às vezes ainda podem ser lidos em nossas listas de discussão (muito embora isso aconteça muito menos do que no passado).

O objetivo final é melhorar a colaboração técnica, uma vez que é a qualidade global do software livre que estamos empacotando que está em jogo.

Apesar do fato que agora é muito fácil de instalar e usar o Debian, a impressão ainda permanece de que ainda é uma distribuição para pessoas com pelo menos algum conhecimento de UNIX. Você acha que isso é uma boa coisa boa devido a Debian ainda ser uma das mais sólidas distribuições em termos de estabilidade, segurança e gerenciamento de pacotes?

Estou tentado a propor uma troca entrevistador-entrevistado sobre esta questão e perguntá-lo “por que você tem essa impressão?”, mas eu evitarei.  Não vejo qualquer tensão particular para “não requerer nenhum conhecimento UNIX para ser usado” e ser uma “distro estável/segura com sólido gerenciamento de pacotes”.  Eu acredito que podemos ser ambos, e, de fato a Debian visa ser mais.

Hoje em dia todos os ingredientes que o Debian precisa para ser um desktop à prova de iniciate existem (bem, OK, exite exceção de coisas como drivers não-livres e codecs, mas esse problema será discutível muito em breve, quando o software livre terminar tomando conta do mundo).

Atualmente, escolhendo a tarefa “ambiente desktop” ao final do instalador Debian você terá um ambiente à prova de iniciante (que meus pais já usam), apesar que estará faltando um pouco com relação a alguns pacotes que precisam ser instalados – e possivelmente configurados – manualmente.

Eu acho que nós apenas precisamos de padrões sensatos aqui e ali, e talvez um pouco de ajuste da nossa seleção de tarefa.  Se não está no nível de ajuste de desktop de outras distros mais orientadas a desktop, é provável, porque entre nós (atuais) desenvolvedores ainda existem mais caras do tipo sysadmin do que caras do tipo usuário desktop.  É normal nós, como “estrutura onde quem faz decide”, tendermos principalmente a coçar *nossas* sarnas, mas isso pode ser facilmente mudado, não existem maiores razões para não. Apenas motiva algumas pessoas dispostas a fazer um ajuste mais amigável ao iniciante e seleção de pacotes a se juntarem ao Debian, e fazer acontecer.  Quem sabe alguns dos leitores gostariam de se juntar a nós e tentar?

Ou você acha que poderia haver alguma flexibilização da estrutura que possa resultar em uma distro mais polida, mas que possa ter que assumir alguns compromissos com estabilidade e segurança?

Permita-me reiterar:  não há nenhum compromisso obrigatório entre ser amigável ao usuário, e ser tão estável e seguro quanto o Debian sempre foi.  Nosso único compromisso é que pretendemos ser tão universal (isto é, para todos e para todo caso de uso possível) quanto possível,  assim, nós geralmente não barganharemos os benefícios do usuário desktop por desvantagens visando outros cenários de utilização.

Essas nossas generalidades podem ser instanciadas, contudo, pela oferta de diferentes perfis ao final da instalação.  Se “o seu” está faltando ou sub-utilizado, basta “você” se juntar a  nós e adicionar/melhorá-lo. É tão simples assim.

Naturalmente, um assunto totalmente diferente é a forma como nós lançamos.  O mesmo pode ser amigável ao usuário (desktop) e ainda fazer um lançamento a cada 18 meses.  Ser de tecnologia de ponta e amigável ao usuário (desktop) não são necessariamente a mesma coisa.  Nós realmente gostamos de lançar “quando está pronto”, e eu não vejo essa mudança em breve.

Você pretende colocar o orçamento do Debian online no futuro, para que qualquer um possa saber quanto vocês arrecadam e como é gasto?

Vamos primeiro esclarecer que o orçamento Debian é dividido entre diferentes organizações em todo o mundo, a fim de reduzir o custo das transferências de dinheiro para comprar coisas ou para receber doações (que é a única fonte de renda do projeto Debian).  Dito isto, a principal organização que cuida do dinheiro do Debian é a SPI, que periodicamente divulga (publicamente) atas com detalhes a respeito de todo dinheiro que entra e sai.  Ainda assim, não estou surpreso com sua pergunta, pois essas atas não são exatamente fáceis de encontra na web.  (Na verdade, eu tive acesso a esses atas, durante a campanha de DPL desse ano, só depois  eu reclamei que não estavam disponíveis ao público, e que eu pretendo mudar isso …)

Eu faço planos para melhorar esta situação, divulgar publicamente e em um lugar de maior destaque todo o dinheiro que recebemos  de doadores e como nós o usamos: é apenas o justo, em um projeto tão aberto como nós supomos ser.

O Debian tem centenas de desenvolvedores altamente talentosos que são desconhecidos para o mundo em geral. Há algum plano para organizar algum tipo de publicidade para essas pessoas? Ou o projeto é mais importantes do que os indivíduos?

Essa é uma grande ideia, obrigado!  de fato, o projeto e nossas ideias são ambos mais importantes do que os indivíduos, sem dúvida.  No entanto, é interessante ressaltar os indivíduos, não realmente “anunciá-los”, mas sim toná-los mais conhecidos pelos colegas DDs que possivelmente não estão no típico meio social Debian (IRC, listas de discussão, blog, etc.).  Como em todas as comunidades, quanto melhor nós conhecemos uns dos outros, melhor nós interagimos e trabalhamos juntos.

Nós, de fato, já trabalhamos no passado em iniciativas que ressaltam os indivíduos. Uma que me vem a mente é a série de entrevidas individuais com desenvolvedores que um colega desenvolvedor contribuiu para o planet.debian.org por um período.  Essa foi uma inciativa legal, e eu acho que nós podemos fazer mais nesse sentido, mas focando o objetivo acima, ou seja, conhecer melhor uns aos outros (o que é realmente útil em um projeto de 1000 desenvolvedores com 2000 opiniões *g*).

E finalmente, que tipo de prazo você precisa para implementar seus planos?

Boa pergunta!  Eu pretendo trabalhar em meus planos tanto quanto eu puder durante este anos, equilibrando as outras partes da minha vida:  trabalho, família, etc, visto que ainda sou um voluntário.  Eu acredito que bastante trabalho pode ser feito em um período, mas devemos verificar melhor daqui a um ano …

IV Encontro de Software Livre da Paraíba

Como  de costume, o G/LUG-PB se superou mais uma vez, dando um show de bola com o IV ENSOL.   Parabéns aos membros da organização pela garra e disposição, que já se tornaram marca registrada deste grupo, e obrigado mais uma vez pela oportunidade de participar como palestrante!

Obrigado também ao pessoal pela participação ativa em minha palestra, cuja apresentação disponibilizo abaixo.

Um forte abraço e até a próxima!

Implementando Clusters HPC com Debian GNU/Linux

III Encontro de Software Livre da Paraíba

Mais uma vez o pessoal do G/LUG-PB mostrou o quanto o grupo tem gente com fibra e disposição.   Sabemos como é difícil a realização de eventos, principalmente de software livre, pois, como se não bastasse a falta de interesse das empresas em patrocinar tal proposta,  ainda temos uma tremenda falta de interesse de pessoas em ajudarem a “carregar o piano” para que a maioria possa assistir o “espetáculo”.   Com o tempo, esse tipo de situação tem inviabilizado a continuidade dos eventos, o que não é diferente com o ENSOL.

Portanto, fica aqui um apelo:  O Software Livre precisa de todos para se manter vivo, isso também se estende aos eventos, AJUDEM O GRUPO DE SUA CIDADE A MANTER VIVO O EVENTO LOCAL!

Meus sinceros parabéns aos amigos guerreiros paraibanos que mais uma vez fizeram o sonho se tornar realidade, e obrigado pela oportunidade de participar como palestrante!

Como sempre, disponibilizo abaixo, o material de minha apresentação.

Implementação de clusters de alto desempenho com Debian GNU/Linux

III ENSL / IV Festival de Software Livre da Bahia

Banner Web III ENSL e IV Festival SL

Queria agradecer à coordenação do III ENSL / IV FSLB pela oportunidade ímpar que tive, de participara como palestrante, nos dias 29 e 30 de maio do corrente ano.  Aos  meus conterrâneos “amigos farrapeiros”, que mais uma vez arranjaram desculpas para não prestigiar o evento, só posso dizer que perderam um dos melhores eventos do nordeste nos últimos anos, o que não foi novidade, tendo em vista o retrospecto de eventos promovidos pelo pessoal da Bahia.

Quem tiver interesse, o Jonh Wendell, um grande desenvolvedor brasileiro do Gnome que tive o prazer de conhecer pessoalmente,  fez um relato bem interessante em seu blog, como fotos e tudo mais.  Jonh, adorei o comentário “sem papa na língua”.  :-)

Meus parabéns, em especial pelas brilhantes palestras que tive o prazer de assistir, dos amigos “Goa” Sherrine, Alexando Silva, da mesa redonda sobre “Como contribuir com projetos de software livre”, com Aurélio Heckert, Jonh Wendell, Caio Tiago e Gilmar Santos, que teve participação ativa dos presentes.  Também pude realizar um sonho antigo, de conhecer pessoalmente o papai noel do software livre!   Espero reencontrá-los na próxima edição do evento.

Aproveito também para disponibilizar os slides de minhas palestras:

Conhecendo e colaborando com o projeto Debian, em formato PDF

Implementação de clusters de alto desempenho com Debian GNU/Linux, em formato PDF

Um forte abraço a todos e até a próxima!

I Fórum de Software Livre do SERPRO Recife

Convido todos a participarem do I Fórum de Software Livre da regional SERPRO Recife[1], que ocorrerá de 24 a 26 de março, na sede da regional, localizada em frente ao shopping Parnamirim, próximo ao Carrefour.   A organização disponibilizará um espaço destinado às comunidades, bastando os interessados entrarem em contato comigo por e-mail, para saberem as informações necessárias.

I Fórum de Software Livre do SERPRO Recife

As inscrições são gratuitas[2], e podem ser feitas através do site do evento, onde também está disponível a grade de palestras[3] e minicursos[4].

Referências:
[1]http://www.softwarelivre.serpro.gov.br/recife
[2]http://www.softwarelivre.serpro.gov.br/recife/inscricoes/inscricao_form
[3]http://www.softwarelivre.serpro.gov.br/recife/palestras
[4]http://www.softwarelivre.serpro.gov.br/recife/mini-cursos

Sugestões do Open-Tran em traduções de Software Livre

Quando sobra algum tempo, procuro colaborar com o time brasileiro de tradução do Debian GNU/Linux.  Ultimamente estou tentando aprender um pouco mais a respeito da linguagem de marcação SGML, para facilitar minha vida na tradução/revisão do Manual Debian de Segurança, e de quebra estou aproveitando para atualizar a versão em português brasileiro do Debiandoc-SGML.

Ultimamente fiquei em dúvida a respeito do contexto “marked-up inline text”, e após consultas ao vocabulário padrão do LDP-BR, buscas no histórico da lista debian-l10n-portuguese, ferramentas de tradução do Google e Babylon, ainda continuei sem encontrar uma palavra que melhor representasse o significado de “inline”.

Por sugestão do Vladimir Melo, no canal de IRC #tradutores da rede irc.freenode.net, fiquei conhecendo uma iniciativa bastante interessante chamada Open-Tran, onde estão disponíveis sugestões de tradução utilizadas no instalador Debian, Gnome, KDE, OpenSUSE, OpenOffice, entre outros.  Foi lá que finalmente encontrei uma sugestão apropriada para o contexto em questão, que foi “texto incorporado com marcação”.

Acredito que a maioria já conheça, porém fica aqui a dica, pois tal iniciativa ajuda a mantermos uma uniformidade das traduções.  Aproveitei para ajustar um plugin de busca do firefox/iceweasel* para o Open-Tran que tem me ajudado bastante, pois embora já exista um plugin, queria algo na barra de busca.

* O arquivo está com extensão .odt, mas na verdade é um .xml, pois minha conta no wordpress não aceita upload de arquivos com esta extensão.

A importância dos relatórios de bug

Estreando minha participação no Planeta Debian Brasil (obrigado FAW ;-) ), aproveito a oportunidade para abordar, principalmente para os usuários iniciantes de software livre, a importância de consultarmos os relatórios de bugs.

No caso do Debian, existe o Sistema de Acompanhamento de Bugs (BTS), onde podemos encontrar todos os relatórios de bugs, além do Sistema de Acompanhamento de Pacotes (PTS), onde podemos acompanhar quase tudo relativo a vida de um pacote.

Para exemplificar melhor a importância dos mesmos, por esses dias adquiri uma impressora laser Samsung ML-2010, e após verificar no openprinting.org que o driver recomendado era o splix, que por sinal já está empacotado oficialmente, bastou apenas fazer a instalação da seguinte forma:

~$ sudo aptitude install splix

Então, adicionei a impressora através da interface web de gerenciamento do cups, e quando tentei imprimir a página de testes, apenas obtive a impressão da seguinte mensagem de erro:

INTERNAL ERROR – FALSE

POSITION : 0×11 (17)
SYSTEM : h6fwsim_mono/x1_tbl
LINE : 396
VERSION : SPL 5.05 01-04-2006

Normalmente, o procedimento mais comum seria recorrer às buscas no google e/ou listas de discussão de usuários. Entretanto, demostrando o valor de conhecermos melhor as distribuições que utilizamos e as ferramentas disponíveis, preferi consultar se havia algum relato de bug relativo ao splix no BTS. E qual não foi minha satisfação ao ver que o mesmo problema já havia sido relatado por outros usuários e melhor ainda, em um dos relatos havia um patch, que por motivo desconhecido ainda não foi aceito pelo mantenedor do pacote, com a nova versão do upstream já empacotada para testes, inclusive com relatos de que já havia sido testado com sucesso. Pronto, pacote instalado através do dpkg, e o problema na impressão foi resolvido. Por fim, consultei como andava o histórico do splix no PTS, e de quebra cadastrei o rss para me manter informado sobre as futuras atualizações do mesmo.

Caso interesse, existe um aplicativo chamado reportbug-ng que facilita bastante a análise dos relatórios, como também o relato de novos bugs encontrados. Sua instalação é bem simples, embora tenha o inconveniente de só estar disponível oficialmente na versão unstable, basta fazer o seguinte:

~$ sudo aptitude install reportbug-ng

Salientando que é necessário conhecer o idioma inglês para entender a interface e o conteúdo dos relatórios.

Bom, espero que os afobado de plantão, independente de distribuição, aprendam a dar a devida importância aos relatórios de bug. ;-)

Um abraço e até a próxima!

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