Entrevista com Steve McIntyre, líder do projeto Debian

Tomei a liberdade de fazer uma tradução livre da entrevista feita pelo site Computer World UK com o atual líder do projeto Debian. Nascido na cidade de Wigan, em Manchester/Inglaterra, atualmente com 34 anos, Steve McIntyre tem colaborado com o projeto nos últimos 12 anos, e no dia 12 de Abril de 2008 foi eleito o novo Líder do Projeto Debian para o mandato 2008/2009.
Peço que desculpem os possíveis deslizes na tradução, e fiquem à vontade para fazer sugestões e críticas.

“Steve McIntyre é o Líder do Projeto Debian recentemente eleito. Ele é engenheiro de software e um antigo desenvolvedor Debian. Suas contribuições mais conhecidas têm sido no campo da criação de imagens de CD/DVD Debian; ele é o líder do time Debian-cd e é responsável por gerar as imagens oficiais.

Qual a sua visão sobre as promoções de patentes viciadas que algumas distribuições Linux têm assinado (por exemplo, XANDROS, Linspire)? Qual você imagina que será o efeito sobre o Linux em particular e no FOSS (Free and Open Source Software – Software Livre e de Código Aberto) em geral?

Compreendo que algumas empresas podem se sentir mais confortáveis com a assinatura deste tipo de acordo para assegurá-las. Alguns mercados como os EUA são notórios por problemas com patentes de software, e eu acredito que se resume a uma simples decisão empresarial de ponderar os custos de fazer este tipo de acordo contra os custos potenciais de uma defesa legal contra um ataque de patente (sem fundamento ou não).

No entanto, eu sinto fortemente que fazer este tipo de acordo é um erro a longo prazo. Ele empresta legitimidade para o sistema de patentes de software e, em especial, para quaisquer patentes que possam ser mencionadas nestes acordos. Fazer isso é ruim por si só, mas também levará à redução do apoio por parte da comunidade. O Software Livre e de seus desenvolvedores apenas são prejudicados com o sistema de patentes de software.

O Debian é algumas vezes criticado como sendo para hobistas apesar das evidências de que é utilizado por muitas organizações sérias para algumas implementações maciças. Você acha que o projeto Debian tem algum trabalho para fazer no sentido de articular suas credenciais empresariais?

Penso que há sempre espaço para que possamos fazer mais nessa frente. Haverá sempre alguns usuários que não acreditarão no Debian como uma opção para a empresa, apenas porque não somos diretamente apoiados por uma grande empresa, e essa será uma difícil atitude para mudar.

No entanto, conheço muitas empresas hoje, que irão fornecer suporte pago para o Debian quando este for exigido, e nós já temos uma agradável reputação de estabilidade. Acho que o próximo truque é começar a fazer mais de um impacto positivo diretamente no espaço “Empresarial” com exposição positiva na imprensa e boas opiniões.

O Debian começou como uma ditadura benevolente dirigida por Ian Murdoch e, em seguida, por Bruce Perens. É justo dizer que a posterior democratização do projeto resultou em mais tempo dedicado à política em vez de tecnologia?

Oh, absolutamente. Como temos crescido em tamanho e mudamos nosso modelo de governo ao longo dos anos, claramente mais do nosso tempo foi gasto em falar uns aos outros em vez de *apenas* trabalhar nas questões técnicas. Imagino que isto é uma conseqüência inevitável do nosso crescimento, assim como em qualquer organização. Mas ainda há muito tempo para fazer a colaboração técnica pela qual nós somos conhecidos, não se preocupe.

O Debian tem tradicionalmente favorecido mais o Gnome do que o KDE? Dado o apoio do anterior à aprovação do OOXML através da ISO e a próxima versão do KDE 4.1, você acha que esta situação poderá mudar?

Em muitos momentos no começo do Gnome e KDE, nós favorecemos o Gnome de certa forma. Houve muitas divergências públicas entre Debian e o pessoal do KDE a respeito do licenciamento para lançá-lo, assim por um tempo nós não incluímos o KDE em todos os nossos lançamentos.

Mas, uma vez que esse problema foi corrigido (anos atrás) temos trabalhado muito bem tanto com comunidades de desenvolvedores Gnome quanto KDE e nós temos grandes equipes ativas trabalhando no empacotamento de ambos os sistemas. Eu não espero ver essa mudança em um momento breve, para ser honesto.

Quais são suas espectativas a partir da próxima Debconf na Argentina?

Estou esperando que nós tenhamos mais uma vibrante, excitante conferência este ano, com conteúdo técnico muito bom e (tão importante) muitas horas para nossos desenvolvedores se socializarem e conhecerem melhor uns aos outros. Apesar de nossas experiências em Debian aproveitando os métodos de comunicação via internet para trabalhar em conjunto, ainda há uma grande quantidade de benefícios em encontros presenciais.

Ainda há tempo também para patrocinadores se envolverem com a Debconf. Estamos sempre à procura de mais dinheiro para ajudar a pagar a conferência em si, por mais que tentemos ajudar com as despesas de viagem para muitos dos nossos colaboradores. Muitas empresas já têm visto os benefícios de estarem associadas a nós.”

Fonte: http://www.computerworlduk.com/community/blogs/index.cfm?RSS&entryid=741

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